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Reportagens / Free Surf

Um Free Surfer em busca da onda perfeita

Fotos: Gustavo Camarão

Com 26 anos, Pedro Aguiar sabe que é um privilegiado. Surfando desde os 10 anos por influência dos tios, vive  em sintonia com a natureza, pegando ondas na companhia de amigos, e seu trabalho é viajar para o México,  Hawaii  e Taiti em busca de ondas perfeitas.  


Um Free Surfer em busca da onda perfeita

Como você vê o surfe profissional hoje no Brasil?
Grande parte do business gira em torno dos campeonatos e circuitos profissionais, e como eu não participo de competições acabo não tendo muito contato com profissionais do meio competitivo, então fica difícil para mim avaliar se o momento é bom ou ruim no cenário profissional propriamente dito. Entre os surfistas que não competem, no entanto, é realmente um grupo muito pequeno que tem a oportunidade de ter patrocinadores bancando. Considero-me privilegiado por ter essa oportunidade. Nesse momento o surfe me possibilita viver em lugares tropicais com ondas perfeitas, então estou tentando tirar proveito disso. É um estilo de vida  muito agradável, é por isso que estou nessa.

Quais as suas ondas preferidas aqui no Brasil’?
O meio da Silveira, e o meio da praia da Ferrugem.  

Você é um free surfer, ok? Foi uma opção ou tentou entrar no circuito de competições e achou que nessa coisa de competir rola muito stress?
Nunca me interessei em participar de competições,  foi assim desde o inicio. Também nunca curti assistir campeonatos, a não ser que fosse num mar grande em Pipeline no Hawaii ou algo excepcional desse tipo. Na verdade, quando eu tinha uns 12 ou 13, um amigo que era campeão catarinense amador conseguiu me convencer a participar de uma etapa do circuito catarinense. Era na ibiraquera, SC, verão e até que tinha umas ondinhas. Nessa época eu ainda era praticamente um iniciante, pois morava em Porto Alegre e só surfava nos finais de semana, meu surfe não era do mesmo nível dos outros competidores,  e fui eliminado já na minha primeira bateria. Depois disso nunca mais participei de competição nenhuma até que no ano passado, mais de uma década depois, encontrava-me em Puerto Escondido, no México, um lugar onde às vezes rolam ondas incríveis, e durante minha estada rolou um evento do circuito mundial WQS. Me inscrevi no campeonato na expectativa de que as ondas estivessem grandes e perfeitas, pois seria uma chance rara de surfar um mar perfeito com apenas mais três pessoas na água.  No fim das contas as ondas estavam apenas razoáveis, mas mesmo assim me diverti e finalmente passei várias baterias. Mas minha paixão pelo surfe está em outra faceta da atividade.

Você acabou de voltar de uma boa temporada no exterior, quanto tempo ficou por lá?
De setembro a julho. Fui primeiro para o México por dois meses, depois Hawaii por três, aí voltei para o México para mais uma temporada de dois meses, depois Taiti e agora voltei para casa

O que exatamente você foi fazer?
Pegar ondas perfeitas. Meu trabalho com a Freesurf, meu patrocinador, consiste em produzir imagens de ação (tanto foto quanto vídeo) para que eles possam usar em suas campanhas de mídia. É claro que eu não precisaria ficar tanto tempo fora para atingir o mesmo resultado, mas a realidade é que isso é justamente o que eu gosto de fazer, então é um prazer estar nos lugares onde passo a maior parte do tempo a trabalho.

Por que voltou?
Tive uma pequena lesão na mão, no início de julho, no Taiti, num acidente de carro, então resolvi voltar para o Brasil para me recuperar. Meu plano  era ficar mais um mês no Taiti, depois um mês no México, e aí sim voltaria para o Brasil, mas acabei me envolvendo nesse acidente e voltei antes. Mas tá ótimo, foi bom voltar para casa, ver minha família e amigos. Só o frio que deu este ano aqui no sul que foi sinistro, já não estava mais acostumado.

Ainda tem um sonho de conhecer algum lugar paradisíaco?
Muitos. Tem vários lugares na Indonésia, vários na Polinésia, Micronésia (Ilhas Carolinas).  

Quem é o cara hoje no surfe?
São muitos surfistas incríveis hoje em dia.

E quem foi o melhor até os dias de hoje?
Se você for olhar para resultados em campeonatos certamente é o Kelly Slater. Mas se olharmos para performance, vários caras estão ou já estiveram no mesmo nível de surfe que ele. O que faz do Kelly tão incrível é que já faz duas décadas que ele está nesse patamar de performance.

Você acha que aqui no Brasil as empresas do setor ainda olham o surfista como um alienado ou o surfista brasileiro é um alienado e deve aprender muito para ser um profissional como qualquer outro?
Não creio que o surfista seja um alienado, pra falar a verdade acho que o surf nos conecta com o mundo, faz com que viajemos, conheçamos o mundo e nos conectemos com a natureza. Como pode qualquer pessoa que gosta de viajar, curtir a natureza e o planeta em que vivemos ser considerado um alienado?  

Conte então um pouco sobre esta sua temporada fora do Brasil e quais foram os maiores aprendizados nesse período.
Foi uma temporada muito boa, surfei vários mares bons tanto no Hawaii como no México e no Taiti, e nos últimos três meses dessa viagem comecei a tentar fazer filmagens do interior dos tubos que surfei, com uma pequena câmera na rabeta da  prancha. É uma atividade relativamente complexa, pois além do desafio habitual de tentar surfar ondas grandes e perigosas,  você tem que se preocupar também com o equipamento de filmagem. Sempre que você for pegar uma onda, tem que acionar a câmera, se preocupar com as condições da lente, da bateria, etc. Mas quando você consegue fazer uma imagem bonita de dentro da onda é muito gratificante.  Consegui produzir alguns clipes de vídeo, coloquei alguns deles no Youtube. Mas sei que o potencial desse tipo de imagem é muito maior, pois ainda não consegui registrar  com perfeição o interior de um tubo realmente grande. Estou muito motivado com essa nova atividade, quero sem muita demora buscar um equipamento novo de maior definição para fazer imagens com maior qualidade. Antes do final do ano quero voltar para o Taiti ou para o México para tentar produzir mais imagens desse tipo em ondas grandes e tubulares.


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