Vista com quarto?
por Cris Berger
Era um julho tipicamente frio. Eu voltava à Praia do Rosa para cobrir a temporada das baleias francas, que acontece de julho a outubro. Além das gorduchas eu estava de olho no que de novo tinha em terra firme. Numa destas “farejadas” encontrei a pousada Solar Mirador. Nome propício, pensei. A vista que se tem da recepção é de tirar o fôlego. Fiz um rápido tour e gostei, a coloquei na minha listinha de lugares charmosos e com estilo. Passaram uns dias e tocou o telefone, do outro lado da linha a “proprietária da vista”, supersimpática, agradecendo a minha visita e convidando para um regresso. Um convite destes não se pode recusar e fui experimentar o que meu crivo de repórter já havia aprovado. Bem, de lá para cá, tive a sorte de me hospedar algumas vezes no endereço que considero o melhor da Praia do Rosa. E parece que eu não sou a única a gostar destes recantos. O pessoal australiano do WCT (Taj Burrow, Joel Parkinson, Bede Durbidge, Dayyan Neve, Tom Withaker, Philip Macdonald, Drew Courtney, Kieren Perrow e Kai Ottoné) faz de lá seu lar durante as provas de um dos principais campeonatos de surf mundial. Nas próximas linhas vamos entender por que quem vos escreve e estes nomes nobres do surf marcam presença assídua em um dos 12 bangalôs.
Quando eu morei na Austrália, no metrô eu namorava um cartaz que dizia assim: Quarto com vista ou vista com quarto? Pois é exatamente está a lembrança que eu tenho do Solar. Espertamente a Suzaninha deixou claro para o arquiteto Mario Quintana que do chuveiro, cama, sacada seus hóspedes deveriam admirar o mar. E assim se fez. Cada chalé foi projetado para enaltecer duas coisas: a privacidade e a vista. A pedida ali é romance. Uma viagem para se fazer com um amor.
E já vou avisando, se der vontade de ficar apenas pelas imediações do deque com piscina, dos quartos com sacada e rede, do gazebo de massagens, da sala de jogos e do restaurante Urucum que “mora” dento do Solar, se entregue sem a mínima culpa. Ok, ok, um pulinho à praia é inevitável, então pegue a trilha que rasga a mata Atlântica e siga até a beira da lagoa onde uma canoa vai transportar você até o outro lado da margem.
Aqui vai uma sugestão: corridinha ao entardecer na beira da praia com mergulho. Afinal a duplinha endorfina e banho de mar é sagrada. Se a água é fria durante o inverno? Sim, muito. Mas com o corpo aquecido mergulhar é uma delícia. Pense bem, a gente vive uma vez e não podemos perder nada! Este é o espírito que se deve chegar: querer aproveitar cada segundo e viver intensamente.
Você sabia que a Praia do Rosa foi eleita uma das 30 baías mais bonitas do mundo? Sim, do mundo! Não é pouca coisa não. E basta olhar para ela num entardecer quando uma luzinha baixa ali e a deixa dourada, com a areia em tons rosados (daqui vem seu nome) e a lagoa fica verdinha, o mar ainda mais azul e aquelas montanhas parecem abraçá-la. E já que tocamos no assunto: beije, abrace, faça carinho, juras de amor, inove, ouse e ame com toda a intensidade. A Suzaninha e o Beto (meu casal ícone de amor na terra) ajudam o cupido a fazer muito bem o seu trabalho.
Pense comigo: uma cama grande e muitos travesseiros, afinal de contas, amor vai bem com luxo e conforto — cortina transparente revelando nuances da beleza externa, rede que convida para um namoro com aquele balancinho gostoso, o chuveiro que chama a um banho a dois, e se você pretende levar a sério mesmo tudo dito até aqui escolha o chalé com jacuzzi na sacadinha. Bom, daí diga adeus ao mundo e se atire de corpo e alma à luxúria.
Fora dos quartos (que têm salinhas, ou seja, são superespaçosos) você vai encontrar um deque de madeira com espreguiçadeiras, mesas, guarda-sóis, tatumes e sempre um garçom por perto para lhe agradar com as delícias do Urucum preparadas sob o comando do restauranter Rafael Miralha. Deixe o sol bronzear você, peça ostras (dizem ser afrodisíacas), um espumante da Cave Geisse e fique na piscina a olhar a bela paisagem. Para o final de tarde agende uma horinha na jacuzzi, ao ar livre, e privativa. Lá, deixe a imaginação correr solta, ninguém o vê – entendeu o recado?
E já que ninguém vive só de amor… (dizem) é necessário comer, entregue-se ao menu do Urucum – que, vejam só, das mesas tem uma bela vista. Lá você encontra a culinária capixaba (do Espírito Santo), prove a moqueca com azeite de oliva e de urucum, feita na panela de barro, é superlevinha e saborosa. Há outras delícias no cardápio, que é bastante eclético.
Convencido? Faça sol ou chuva – bem, se tiver lua cheia é uma loucura – o Solar é um verdadeiro ninho de amor. Não é a toa que o Guia Quatro Rodas os elegeu uma das melhores pousadas para casais no Brasil.
É conforto e requinte num clima super descontraído. Não deixe de trocar dois dedinhos de prosa com a Suzi e o Beto (os felizes proprietários) – garanto que eles facilmente se tornarão seus mais novos melhores amigos.
Cris Berger
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